Meu Melhor Erro - Cris Sampaio

27-Mar-2017

Bem, em um determinado momento da minha carreira, quando eu trabalhava em agência de comunicação, eu não aguentava mais aquele formato antiquado de trabalho em que aconteciam reuniões para marcar a data das próximas reuniões (improdutivas), em que tínhamos ainda chefes despreparados que mais atrapalhavam o trabalho do que contribuíam, um clima de trabalho pesado de concorrência e não de colaboração, eu estava estafada e o primeiro erro que cometi foi de percepção. De acreditar que o problema era minha profissão e não o local e algumas pessoas. Decidi que queria mudar radicalmente de carreira. Sou extremamente organizada, a organização para mim é reflexo de paz, segurança. Como já dizia o poeta Renato Russo: “Disciplina é liberdade”.

 

Certa vez li uma matéria sobre uma nova profissão no Brasil, a de personal organizer – organizadoras de residências e escritórios. Me interessei, fui buscar entender mais e me inscrevi em um curso de organização de closets e cozinhas! Fiquei encantada com a possibilidade de mudar totalmente de carreira, de fazer algo que “zerasse” a mente, que traria uma boa perspectiva financeira, etc. E nesse momento só vemos vantagens porque estamos inclinados a querer aquela mudança.

 

Fiz também o curso de organização de escritórios, fiz site, cartão de visitas, participei de congresso internacional sobre personal organizer e quando saí da agência meti as caras. E ao meter as caras também quebrei as caras! No começo era tudo muito legal, mas, é um trabalho que requer um esforço físico forte, passar o dia organizando, dobrando, guardando, encaixotando. Cada dia em um lugar diferente (o que, em princípio parecia fugir da monotonia depois se tornou algo caótico). E não é tão fácil assim conseguir clientes, afinal de contas, não é um serviço de primeira necessidade. Mas, ok, eu estava seguindo em frente, até que fiquei doente (um problema no coração), passei por duas cirurgias, tive uma parada e fiz uma cardioversão elétrica. E com isso, fiquei proibida de fazer o mínimo esforço físico por mais de um ano, nada de carregar peso, levantar e abaixar com pressa, fazer movimentos bruscos, etc. Ou seja, impossível seguir com o projeto de personal organizer. Então, voltei à minha profissão, já que seria totalmente viável trabalhar sentada com o computador no colo fazendo conteúdo e assessoria de imprensa.

 

Eu já tinha empresa aberta há muitos anos, apenas organizei a parte contábil, fiz o site da agência, cartão de visitas, tudo de novo! E como já tinha anos de carreira e bom relacionamento no meio, não foi difícil conseguir clientes. E aí veio a surpresa satisfatória, o problema não era minha profissão, mas o formato de trabalho que estava me deixando insatisfeita. Agora, trabalhando por conta própria, eu simplesmente amo o que faço, posso traçar a estratégia diretamente com meus clientes, contrato meus fornecedores, enfim, tenho autonomia, liberdade e sinto que os resultados são muito melhores justamente porque posso trabalhar sem as amarras de um formato institucional arcaico.

 

Valeu a experiência, agora, sou uma expert em organização e aplico isso na minha vida pessoal, além de dar consultoria para as amigas e, ainda hoje, pintam algumas solicitações de trabalho e, tendo agenda, eu faço, afinal de contas, é mais um dinheiro que entra! Mas, minha atuação principal é o jornalismo e a assessoria de imprensa.

 

Acredito que à época em que eu estava desesperada para sair da agência, criei um trauma e não enxerguei outras possibilidades dentro da minha profissão. Fui para a carreira de personal organizer sem avaliar os riscos, fui mais pelo emocional do que pelo racional. Investi dinheiro, paguei cursos, site, gráfica, mas, tudo bem, se eu não tivesse feito isso, talvez estivesse infeliz até hoje em alguma agência por aí. Só estou aonde estou hoje porque passei por essa experiência!

 

Cristiane Sampaio

38 anos, jornalista, escritora, solteira, meia-maratonista, bailarina, cinéfila, Epicurista, amante do rock n’roll mas também apreciadora do silêncio, aquele silêncio que nos dá uma calmaria interna. Sou proprietária da ACTA Comunicação Integrada, agência de comunicação empresarial e assessoria de imprensa. Sou formada em jornalismo, com especialização em cinema (habilitação em roteiro, produção e direção), pós-graduada lato sensu em Comunicação Organizacional e Assessoria de Imprensa e pós-graduada lato sensu em Gestão Empresarial.

 

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